Verão 2021

Endless Summer

Sol, mar, trilhas, esportes e muita diversão. O mood da estação se instalou permanentemente e o sonho de um verão que nunca acaba embalou as fotografias do @yopallan com Approve.

Publicado em 14/01/2021


Fotógrafo de 27 anos, o creator Allan Neumann Vaz (@yopallan no Instagram) é um dos fundadores da produtora de conteúdo @framecontent.co e embaixador da #shotoniphone.

Junto de Approve, se jogou pelo litoral paulista para viver dias intermináveis de verão. O resultado desta aventura e um bate papo honesto sobre arte, fotografia, tecnologia e moda você confere a seguir.


O que significa o Endless Summer?

Nasci e cresci em São Paulo. É uma cidade que te dá muitas coisas, mas que também tira. Comecei a ter proximidade com o mar, o sol e o verão e foi o que inspirou o conceito do projeto. Todo mundo é um sol, todo mundo é um verão que nunca acaba. Acho que o Endless Summer é viver um pouco do seu dia perfeito todo dia. O sol tem o poder de trazer vida e felicidade e foi isso que procuramos registrar nas imagens.


Como foi este trabalho? As fotografias contam uma história.

Foi tudo muito orgânico, as histórias aconteceram naturalmente, pois foi a rotina que adotamos durante a viagem. Praia, esporte, luau… as cenas foram pouco montadas. Tudo o que foi registrado foi a vibe real do pessoal que se envolveu nesse projeto.Tudo aquilo que registramos é o que estava acontecendo.A gente só deixava as roupas separadas e ia vivendo.

Em nenhum momento foi um trabalho. Foi um processo de criação espontânea. Juntamos uma galera com boas intenções, montamos um breve roteiro só para ninguém ficar perdido e vimos o conteúdo acontecer.

A equipe que produziu todo o conteúdo do Endless Summer, principalmente a produção, me surpreendeu muito e eu só tenho a agradecer por isso.. As fotos só refletem os momentos que a gente construiu juntos


Quando começou a fotografar?

Trabalhava em agência e estava bem insatisfeito com o formato. Então, comecei a participar de alguns castings para propaganda e a trabalhar com isso. Do outro lado, sendo fotografado, e não fotografando.

Em um trabalho específico em que viajamos para o Chile para produzir um conteúdo, percebi que queria estar do outro lado e viver daquilo. Caiu a ficha de que esse era meu sonho. Liguei para o cara que hoje em dia é meu sócio e falei que queria abrir uma produtora com ele. Isso foi no finalzinho de 2017 e nunca mais paramos. No meio deste processo fui morar em Portugal e me apaixonei pela fotografia de rua. O que eu tinha para fazer era retratar o momento cru acontecendo diante de mim.

Mas aí eu pensei: “também posso montar as cenas”. Nisso eu fui para a fotografia de moda, que é uma paixão. Dá para trazer essa coisa do acaso com o direcionamento.


Fotografia interna ou externa?

Rua, sempre. Se o cliente me deixar escolher, sempre vou ter uma ideia na rua. O estúdio é interessante porque é infinito, mas não é orgânico. Tem gente que cria um milhão de coisas maravilhosas, mas eu acho um pouco mais artificial. Ele te permite criar aquilo que você quer, mas te entrega exatamente aquilo que você pensou. Não tem surpresa.

Existe um traço criativo que permeia seus trabalhos?

Meus amigos são minhas maiores referências e professores. A conexão criada durante o trabalho foi o traço que aprendi e me identifiquei.

Eu tenho que me conectar com a pessoa que eu estou trabalhando. Eu tenho que trocar um papo, bater a vibe, eu tenho que me apaixonar naquele momento. Esse é o processo que não pode faltar para mim. Eu preciso me apaixonar por aquilo que estou registrando.


Como você vê o mercado da fotografia com as redes sociais? É possível manter a arte viva frente às novas tecnologias e aplicativos?

O mundo é digital e eu sou do time que abraça essa realidade. Eu sou millennial assumido, sou ansioso e preciso ver a fotografia em tempo real, por isso não sou muito fã do analógico. As ferramentas são benéficas, estão aqui para nos ajudar.

A arte é expressão. Se você registrou, eternizou o momento, não importa de qual forma foi. É arte e ponto. As pessoas são muito mais talentosas do que eles acham que são, eu vejo isso diariamente no Instagram.

Tem uma câmera preferida ou acredita que dá pra captar boas imagens com qualquer equipamento?

Tudo depende muito de para onde vai. O celular está sempre com a gente, é uma extensão do nosso corpo. Na época que morei em Portugal eu não tinha um celular muito bom e eu acreditava que precisava de uma boa câmera para fotografar, que só o meu olhar não era suficiente. Hoje, vejo que o momento e o olhar contam muito mais para você registrar uma história. O processo é 100% mais importante que o equipamento.

Eu gosto que as pessoas saibam quando um conteúdo que produzi foi feito somente com o celular, algo que todos têm na mão o tempo todo. Ele é o melhor papel e caneta para criar no Instagram, por exemplo, que nada mais é do que um diário virtual de cada um.

Mas tudo depende do projeto. É preciso saber o equipamento que basta em cada situação.


Você acha que a noção de influenciar pessoas foi banalizada no Instagram?

Com certeza. Antes, as pessoas tinham que conquistar de verdade, ter uma história. Acho que a superação é algo que influencia muito. Hoje, basta ser amigo de um famoso para ser alçado a influenciador. No meio disso, perdem-se os propósitos. Não tem problema você ter nascido privilegiado, mas se você segue um propósito de vida (e nem estou falando de causas ou bandeiras), você sabe para onde está indo e o que precisou aprender. E quem aprende sempre divide.


A pandemia te fez mudar percepções sobre você mesmo e a fotografia?

Foi um ano em que aprendi a dar valor. A gente tinha uma estrutura pra não ser afetado diretamente, mas o que faltou mesmo foi o trabalho. Fazer, criar e expressar. Fez muita falta, eu fiquei muito mal por não poder dar vazão para tudo o que eu queria. Foi quando eu fiz os ensaios por Facetime, fotografei com umas dez pessoas e foram processos e conteúdos muito legais. E aí eu pensei: “caramba, ainda tem onde espremer. O mundo não acaba nem se a gente nunca mais sair daqui”. Fiquei mais aliviado. Nesse tempo, foi interessante também perceber o que não me fazia falta. Deu pra organizar a cabeça, a rotina e agora é entender que terão dias mais difíceis, outros mais fáceis, mas que a gente está indo para frente. E parece que tudo o que não fizemos, queremos fazer agora em 2021. Está acumulado.

Como é manter um empreendimento criativo?

Viver de conteúdo, se eu pudesse resumir e dar uma dica é: não romantiza.. Estamos na melhor época do mundo para produzir conteúdo. A era digital, da informação. O consumo de conteúdo é gigantesco. Tem que se desprender um pouco da noção romântica e entender que é um trabalho como qualquer outro, com prazos, entregas, clientes e expectativas.